sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Carnaval é Folia

Carnaval é tempo de folia



Daiane de David, especial JC
ANTONIO PAZ/JC
Nesta época, Cidade Baixa recebe blocos como o Maria do Bairro
O clima de Carnaval já começou a contagiar as ruas de um dos bairros mais boêmios da Capital. Quem passou pela Cidade Baixa nesse último final de semana sabe do que estamos falando, pois pôde apreciar o bloco Panela do Samba estreando a programação do projeto Folias de Rua. A iniciativa reunirá, nos próximos meses, nove blocos de Carnaval de rua já tradicionais da cidade para animar moradores, comerciantes, turistas e o público em geral. No próximo sábado, o agrupamento popular Do jeito que tá vai segue com a festança no Largo Zumbi dos Palmares. Quem fez sucesso na semana passada foi o bloco Deixa falar, que promete levar muitos foliões, novamente, no próximo dia 2.
Totalmente gratuita, a ação é organizada pelos comerciantes do projeto Cidade Baixa em Alta (CBA), que promove, desde o ano passado, uma série de eventos culturais na região. O projeto conta ainda com o apoio da prefeitura municipal e do governo do Estado. Tiago Faccio, um dos coordenadores da CBA, explica que o grupo fez contato com o Poder Público para liberação de ruas, colocação de lixeiras e solicitar o devido policiamento das festas, além de criar as peças publicitárias do evento, montar a programação e alugar banheiros químicos.
Para não cair na “mesmice”, os organizadores convidaram blocos bem diferentes entre si, distribuindo cada um ao longo de três meses, de 20 de janeiro a 17 de março. “Vamos ter um pouco de cada coisa. Uns tocam mais marchinha, outros músicas relacionadas à cultura nordestina, uns preferem samba. Tem os que são mais performáticos ou mais instrumentais e outros que trabalham com naipe de sopros”, enumera Tiago. Segundo ele, a ideia do Carnaval de rua é ser algo democrático, em que todos possam se divertir: “Acho que o legal disso é a liberdade de expressão. Tu conseguir te libertar e conviver numa boa com os mais diferentes estilos, gostos, sexos, idades, vertentes e religiões”.
Mas engana-se quem pensa que a iniciativa é recente na Cidade Baixa. Foi no bairro que surgiu, por volta da década de 1970, um dos primeiros movimentos carnavalescos populares de Porto Alegre, a Rua do Perdão. Contra a ditadura militar que vigorava no período, o bloco foi fundado por Waldemar de Moura Lima, o “Pernambuco”, e reunia várias bandas (como a Banda DK) que se formaram nas noites de boemia num bar localizado na Rua da República.
O ator gaúcho Danny Gris, que com 72 anos ainda participa da folia na Cidade Baixa (ele faz parte da Velha Guarda do bloco Maria do Bairro), era um dos frequentadores do estabelecimento na época e conta que a característica principal das festas de rua era o seu caráter popular. “Ia quem queria, ninguém organizava nada, ninguém mandava em ninguém e a gente só sabia que no sábado de Carnaval a banda ia sair”, relembra. O bloco da Rua do Perdão foi interrompido da década de 1980 até 2007, voltando em 2008.
Inspirado por esse passado, o cineasta e carnavalesco Zeca Brito criou, em 2007, o Maria do Bairro, hoje um dos maiores blocos da Capital em termos de público (cerca de 12 mil pessoas em 2012). Naquele ano, não havia outros blocos de rua na cidade, e o Carnaval se concentrava basicamente no sambódromo do Porto Seco e nas festas privadas de clubes. O surgimento do Maria foi o incentivo que faltava para renovar esse tipo de celebração popular e fazer nascer (e renascer) outras iniciativas. “O Carnaval, no seu sentido primário, é uma manifestação de rua. A gente não quer algo burocratizado, mas espontâneo, em que as pessoas se integrem”, explica Brito.
Em sua sétima folia, o Maria do Bairro vai homenagear no seu samba-enredo (disponível na página do bloco no Facebook) a história do Carnaval de rua na Cidade Baixa. Neste sábado, o grupo faz um ensaio geral na Casa de Teatro (Garibaldi, 853), a partir das 18h, com ingresso entre R$ 15,00 e R$ 20,00. O valor vai para as despesas básicas do bloco, que não conta com a ajuda financeira do Poder Público para viabilizar suas folias populares.
“É um sinal positivo a prefeitura apoiar a festa neste ano. No futuro, o que tem que acontecer é os governos municipal e estadual assumir o Carnaval de rua da cidade como um todo, como acontece com a prefeitura do Rio de Janeiro. Não só colocar no calendário oficial de eventos, isso é o que eles mais fazem, mas aprovar uma verba orçamentária, criar uma política cultural realmente séria para isso”, ressalta Brito.
Folias de Rua
• Do jeito que tá vai
26 de janeiro - às 16h, no Largo Zumbi dos Palmares.
• Galo do Porto
2 de fevereiro - das 14h às 20h, na Joaquim Nabuco.
• Maria do Bairro
2 de fevereiro - às 17h, na Sofia Veloso.
• Bloco da Lage
3 de fevereiro - das 18h às 22h, na Praça Garibaldi.
• Banda DK
9 de fevereiro - das 15h às 22h, na Rua da República.
• Rua do Perdão
12 de fevereiro - das 15h às 20h, na Rua da República.
A programação segue até março. As outras datas podem ser consultadas em
www.facebook.com/CidadeBaixaemAlta
Fonte Jornal do Comercio

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