quinta-feira, 17 de maio de 2012


Maratona é atividade de risco?

Com os devidos cuidados, você pode participar desta prova


EU ATLETA header Nabil Ghorayeb Cardiologia (Foto: Editoria de Arte / Globoesporte.com)

Estamos a algumas semanas da Maratona de São Paulo, a dois meses das Olimpíadas de Londres, e uma velha polêmica segue em discussão na Medicina e na mídia: a maratona clássica (42 km) traz riscos ou mais benefícios à saúde? Um indivíduo pode participar de quantas maratonas por ano?
Nessa discussão, algumas dúvidas médicas importantes devem ser esclarecidas. Numa corrida, na qual a frequência cardíaca (FC) se mantém acima de 80-85% da frequência máxima (inclusive no treinamento), e ainda, por tempo prolongado (duas a seis horas), há um esforço físico muito longo e vigoroso do organismo como um todo, o que pode levar alguns a riscos graves (até mesmo letais):
Quem tem risco aumentado de parada cardíaca/morte súbita durante/após a corrida?
- O esportista com alguma doença cardíaca prévia e até mesmo uma virose não totalmente curada;
- Aquele com algum sintoma cardiopulmonar durante os treinamentos ou na corrida (dores no peito, palpitações, tonturas falta de ar);
- Os que desidratam com facilidade e não repõem adequadamente as perdas de líquidos e dos eletrólitos, como o sódio e potássio;
- Usuários de esteroides anabolizantes e os disseminados energéticos não autorizados ou proibidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que recentemente receberam severo alerta do órgão que regula os alimentos e remédios nos Estados Unidos (FDA) por não quererem se submeter à obrigatória prova de segurança (JACK3D, Lipo 6 black, Red Line e outros que contém 1,3-dimethylamylamine e methylhexanamine, de perigoso efeito cardiovascular, vendidos pela internet).
Possível risco de futura doença cardíaca
- Entre os corredores de alta intensidade é frequente maior tendência de arritmias cardíacas, em geral benignas, mas alguns mais sensíveis podem desenvolver arritmias mais graves;
- Aparecimento de danos no coração dos maratonistas sadios. Algumas pesquisas feitas logo após as maratonas de Boston e de Londres, além das que fizemos em São Paulo, mostraram em 40% dos esportistas examinados elevação anormal das enzimas cardíacas. O real significado dessas alterações é ainda polêmico, mas serve de alerta para uma eficiente preparação médica e fisiológica;
- Nunca tomar anti-inflamatórios sem prescrição médica. Além dos efeitos colaterais no coração e vasos, há enorme risco de piora das lesões ortopédicas, porque mascaram a dor, o aviso de algo anormal.
Prevenção dos problemas
- Só devem participar de maratonas, aqueles que estejam, na ocasião da corrida, em perfeitas condições de saúde. Não aceite o "estou meio bom"!
- Devem evitar participar de maratonas os que não se prepararam adequadamente para este tipo de prova tão desgastante. Hoje, em todas as provas mundo afora, existe opção de correr menores distâncias durante aquela maratona;
- Limitar a quantidade de participações dos não profissionais. O recomendado, do ponto de vista médico, são duas maratonas por ano, no máximo. Em qualquer idade, em especial acima de 45 anos, fazer avaliação multiprofissional minuciosa, seis meses antes da maratona, incluindo o teste ergométrico até exaustão, com cardiologista;
- Seguir rigorosamente as orientações nutricionais, com profissional da área, para o uso de isotônicos e carboidratos e quaisquer alimentos para esse tipo de corrida.
Enfim, sigam as recomendações para participarem com segurança dessa incrível corrida que é a maratona, um desafio quase que lúdico para os atletas.
Nabil Ghorayeb é Doutor em Cardiologia pela FMUSP, Especialista em Cardiologia e Medicina do Esporte, chefe do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia e do HCor – Hospital do Coração, diretor da Sociedade Brasileira de Cardiologia, além de ter recebido o Prêmio Jabuti de Literatura em 2000.
Fonte: http://globoesporte.globo.com/

Nenhum comentário:

Postar um comentário